1 em cada 3 empresas brasileiras perdeu $1 milhão com ciberataques em 3 anos
Atualizado: há 3 dias
Boa parte das organizações só descobrem a resposta para essa pergunta no pior momento possível: durante o ataque.
Nos últimos anos, o volume e a sofisticação das ameaças cresceram de forma acelerada no Brasil.
Segundo a Pesquisa CISO Brasil 2025, 88% dos profissionais de segurança entrevistados no país, observaram aumento significativo no número de ciberataques nos últimos dois anos. Além disso, 84% afirmam que essas ameaças ficaram mais sofisticadas no mesmo período.
O problema é que a maturidade de resposta não acompanhou esse crescimento. A mesma pesquisa mostra que 48% das empresas não possuem cronograma regular de avaliação de riscos, reagindo apenas quando um ataque ou evento externo força uma revisão da postura de segurança.
Quando o incidente já começou, a análise de causa raiz aparece como a etapa mais demorada para 54% dos entrevistados, seguida por dificuldades na identificação de ameaças em tempo real, na coordenação entre equipes e na contenção do ataque.
Preparo é diferente de prevenção
Existe uma confusão comum entre investir em ferramentas de proteção e estar de fato preparado para um incidente. Firewalls, antivírus e soluções de EDR reduzem a probabilidade de um ataque ter sucesso, mas não substituem um plano de resposta documentado, testado e conhecido por todos os times envolvidos.
O Cybersecurity Readiness Index 2025 reforça esse ponto: apenas 5% das organizações brasileiras atingiram um nível considerado maduro de preparação contra ataques cibernéticos, e esse percentual está estagnado em relação a 2024.
A maioria ainda opera em estágios iniciais ou intermediários, com fragilidades em controle de acessos, resposta a incidentes e governança de dados.
Quando a resposta a um incidente não está estruturada, o impacto ultrapassa o sistema afetado. De acordo com o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, o tempo médio global para identificar e conter uma violação de dados foi de 241 dias em 2025, o menor índice em nove anos.
Ou seja, um período longo o suficiente para que o problema se espalhe pela operação inteira. Empresas que levaram mais de 200 dias para conter um incidente tiveram custos, em média, $1,14 milhão mais altos do que aquelas que agiram dentro desse prazo.
No Brasil, o reflexo aparece nos números da pesquisa Digital Trust Insights 2025, da PwC: um terço das empresas brasileiras entrevistadas registrou perdas de pelo menos $1 milhão com ciberataques nos últimos três anos, e menos da metade dos executivos afirma medir os riscos cibernéticos de forma eficaz.
Da resposta reativa à decisão estratégica
Esses dados mostram um padrão: empresas que tratam cibersegurança como pauta estratégica, discutida antes do incidente, conseguem agir com mais velocidade e clareza quando algo sai do plano.
Isso significa mapear onde estão as brechas, revisar continuamente quem tem acesso, entender quais ambientes cresceram sem governança adequada e transformar a resposta a incidentes em um processo ensaiado, e não em uma decisão tomada sob pressão.
Também significa envolver a liderança no tema. Uma pesquisa da Grant Thornton Brasil mostra que, embora 79% das empresas acreditem estar mais expostas a ataques cibernéticos, apenas 44% têm a alta administração diretamente envolvida no tema, o que dificulta a priorização de investimentos e a integração da segurança às decisões de negócio.
Segurança deixa de ser apenas uma função técnica quando passa a fazer parte da estratégia da empresa e é justamente esse deslocamento, de reação para preparo, que separa organizações que atravessam um incidente com controle daquelas que só descobrem suas fragilidades depois que o ataque já aconteceu.
Sua empresa mede o próprio nível de preparo ou só vai descobrir na prática?
FONTES:
IBM Security / Ponemon Institute. Cost of a Data Breach Report 2025. https://www.ibm.com/think/x-force/2025-cost-of-a-data-breach-navigating-ai
PwC. Digital Trust Insights 2025 (Brasil). https://www.pwc.com.br/pt/estudos/servicos/consultoria-negocios/2025/global-digital-trust-insights-survey-2025.html
https://www.pwc.com.br/pt/estudos/servicos/consultoria-negocios/2025/TL_Pesquisa-Global-DTI-2025.pdf
Grant Thornton Brasil. Percepção de riscos cibernéticos das lideranças brasileiras.
HTS High Tech Systems. Cenário Atual de Ataques, Cybersecurity Readiness Index 2025. https://www.hts-it.com/cenario-atual-ataques


