Segurança da Informação: Um terço das empresas brasileiras perdeu US$ 1 milhão para ciberataques
Atualizado: 29 de set.
Boa parte das organizações só descobre os riscos de uma péssima segurança da informação no pior momento possível: durante o ataque.
Nos últimos anos, o volume e a sofisticação das ameaças cresceram de forma acelerada no Brasil. Segundo a Pesquisa CISO Brasil, 88% dos profissionais de segurança da informação entrevistados no país observaram um aumento significativo no número de ciberataques nos últimos dois anos. Além disso, 84% afirmam que essas ameaças ficaram mais sofisticadas.
O problema é que a maturidade de resposta não acompanhou esse crescimento. A mesma pesquisa mostra que 48% das empresas não possuem cronograma regular de avaliação de riscos, reagindo apenas quando um ataque ou evento externo força uma revisão da postura defensiva.
Quando o incidente já começou, os maiores gargalos apontados pelos especialistas são:7
A análise de causa raiz (etapa mais demorada para 54% dos entrevistados)
Dificuldades na identificação de ameaças em tempo real
Falhas na coordenação entre equipes
Atrasos na contenção do ataque
Qual é a diferença entre prevenção e preparo em segurança da informação?
Existe uma confusão comum entre investir em ferramentas de proteção e estar de fato preparado para um incidente. Firewalls, antivírus e soluções de EDR reduzem a probabilidade de um ataque ter sucesso, mas não substituem um plano de resposta documentado, testado e conhecido por todos os times envolvidos.
O Cybersecurity Readiness Index reforça esse ponto: apenas 5% das organizações brasileiras atingiram um nível considerado maduro de preparação contra ataques cibernéticos, e esse percentual continua estagnado. A maioria ainda opera em estágios iniciais ou intermediários, com fragilidades críticas em controle de acessos e governança de dados.
Quando a estrutura de segurança da informação falha, os impactos financeiros e operacionais se alastram rapidamente:
Tempo de contenção: De acordo com o relatório Cost of a Data Breach da IBM, o tempo médio global para identificar e conter uma violação de dados foi de 241 dias.
Prejuízo financeiro: Empresas que levaram mais de 200 dias para conter um incidente tiveram custos, em média, US$ 1,14 milhão mais altos do que aquelas que agiram dentro desse prazo.
Cenário nacional: Dados da pesquisa Digital Trust Insights (PwC) mostram que um terço das empresas brasileiras entrevistadas registrou perdas de pelo menos US$ 1 milhão com ciberataques nos últimos três anos, e menos da metade dos executivos mede os riscos de forma eficaz.
Como transformar a segurança da informação de uma resposta reativa em uma decisão estratégica?
Esses dados revelam um padrão claro: empresas que tratam a segurança da informação como pauta estratégica, discutida antes do incidente, conseguem agir com mais velocidade e clareza quando algo sai do plano.
Isso exige mudanças práticas na rotina corporativa:
Mapear brechas e revisar continuamente quem possui privilégios de acesso aos sistemas.
Identificar ambientes que cresceram sem governança adequada.
Ensaiar a resposta a incidentes como um processo contínuo de simulação, e não como uma decisão improvisada sob pressão.
Também é fundamental envolver a liderança no tema. Uma pesquisa da Grant Thornton Brasil aponta que, embora 79% das empresas acreditem estar mais expostas a ataques cibernéticos, apenas 44% têm a alta administração diretamente envolvida, o que dificulta a priorização de investimentos na área.
A segurança da informação deixa de ser apenas uma função técnica quando passa a fazer parte da estratégia de negócios. É justamente esse deslocamento, de uma postura reativa para o preparo ativo, que separa as organizações que atravessam um incidente com controle daquelas que só descobrem suas falhas tarde demais.
Sua empresa mede o próprio nível de preparo ou só vai descobrir na prática?
FONTES:
IBM Security / Ponemon Institute. Cost of a Data Breach Report 2025. https://www.ibm.com/think/x-force/2025-cost-of-a-data-breach-navigating-ai
PwC. Digital Trust Insights 2025 (Brasil). https://www.pwc.com.br/pt/estudos/servicos/consultoria-negocios/2025/global-digital-trust-insights-survey-2025.html
https://www.pwc.com.br/pt/estudos/servicos/consultoria-negocios/2025/TL_Pesquisa-Global-DTI-2025.pdf
Grant Thornton Brasil. Percepção de riscos cibernéticos das lideranças brasileiras.
HTS High Tech Systems. Cenário Atual de Ataques, Cybersecurity Readiness Index 2025. https://www.hts-it.com/cenario-atual-ataques


